segunda-feira, 2 de abril de 2018

Uma outra flor


O seguinte poema não é meu, foi tirado do Instagram não faz muito tempo e só quis publicá-lo neste blog devido a umas poucas curiosidades.

A autora, que se denomina Antígona (não quer dizer que de fato se chame Antígona, ainda que nomes de deuses e heróis da mitologia sejam comuns entre gregos), tem uma conta chamada @poetrybreath, da qual tirei esse poema. Ela apresenta seus poemas em letras cursivas bem estilizadas, escritas sobre uma tela que conheço pelo nome de aguada. O efeito é bem bonito, ainda que o poema seja um tanto óbvio.

O jogo de palavras no final que é muito típico da língua grega: palavras muito próximas, homógrafas ou homófonas, com sentido muito diferente. No caso desse poema, as palavras são homófonas, pronunciam-se “filái”, uma se escreve com ípsilon, e significa guarde, outra com o iota, e significa beije.

Aliás, é possível falar mais sobre essa palavra e suas semelhantes. “Fílos” (φίλος) significa amigo ou namorado e o feminino se faz com o ita, pronuncia-se “fíli” (φίλη) e significa amiga ou namorada; “filí” (φιλί), com acento diferente, significa beijo... Curioso que haja um idioma no qual a palavra amigo/amiga assemelhe-se a beijo (e que na antiguidade desse idioma, beijar também signifique amar)!































Έχω ένα λουλούδι που αγαπώ.
Θέλω να το δώσω σε κάποιον
να το κρατάει,
να το φυλάει.
Να σε φιλάει.

Amo uma flor que tenho.
Quero dá-la a alguém
que a tome,
que a guarde.
Que beije você.



quinta-feira, 29 de março de 2018

Flor


Esse poema foi escrito em sala de aula, mas não me lembro quando. A data que está marcada nele é 2002, quando eu já não frequentava escola. Se a data está certa, então foi alguma atividade poética promovida pelo SESC em parceria com a UNESP. Certo é que, em 2002 (nem faz tanto tempo assim), a UNESP promovia atividades literárias tanto para alunos do ensino médio quanto para interessados em geral com muito mais frequência do que agora.

Para quem mora em São José do Rio Preto, a UNESP é conhecida como Ibilce (Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas), a única universidade pública da cidade e, justamente por ser pública e também uma das principais do país, atrai gente de toda parte, mesmo do estrangeiro, o que faz do lugar um centro interiorano-cosmopolita!

No final, são esses os dois principais centros promotores de cultura na cidade: a UNESP, desempenhando o papel crítico próprio da escola, e o SESC, promovendo a cultura muito mais que os órgãos públicos do município. A cidade conta com outros centros culturais, no entanto, foram e continuam sendo muito apagados em minha vida.





          Cuidado posto fora
          Ferida

          Corre corre corre

          Escorre a vida

          Cabelos assoprados
          Levados por mais nada

          Um leito e já não corre

          Desfolha

          Enquanto dorme



segunda-feira, 26 de março de 2018

VERSOS X VERSOS

Esse é um poema, ou tentativa de poema, de 2002. É um jogo de palavras como muitos dos poemas legais que já li ─ o “PERHAPPINESS” do Paulo Leminski, por exemplo (para quem quiser saber mais, esse poema consta na coleção Toda poesia, Paulo Leminski, lançada pela Companhia das Letras, mas o poema é só essa palavra mesmo, escrita em letras grandes, bem no meio da página).

VERSOS X VERSOS não tem versos. É um jogo com a sensualidade da língua (o que se faz com a língua?, onde a gente mete a língua?, por que o fundo é seco?), e com a linguagem em metalinguagem. O verbo linguar, no imperativo, é, até onde sei, invenção minha em uma época em que se usava trema. Mantenho o trema...



Língüe

Meta a língua
No fundo seco e macio

Meta linguagem

E agora que mordeu

Coma 




segunda-feira, 19 de março de 2018

Luta


Esse poema, escrito no ano 2.000, é apenas uma descrição, um quadro. Hoje, para dar ares de grandeza ao poeminha, eu diria ser uma forma naïf da fórmula horaciana ut pictura poesis (a poesia que se assemelha à pintura)! Curiosamente, desde o primeiro momento tive a impressão de que haveria mais bravura se a luta fosse vencida por uma mulher, por isso há no final uma indicação de gênero.

Lembrei-me desse poema devido aos acontecimentos recentes no Rio de Janeiro que resultaram no assassinato de Marielle Franco. Deixo abaixo uma advertência importante feita pelo jornal Meio e aqui o link para a assinatura gratuita: Canal Meio.



E não é que deu certo!?!

    Naquele emaranhado
    (No meio do enguiço)
Um corpo já muito batido
Levantou sem constrangimento

De costas para quem não acreditava
Escondeu o riso entre os cabelos
    ─ Um riso de cabeça baixa

Foi embora cansada
    Mas vitoriosa!



De supetão, em quantidade e de forma aparentemente orquestrada, as redes sociais foram tomadas por fake news a respeito da vereadora assassinada no Rio, Marielle Franco. Pelo menos duas autoridades, o deputado federal Alberto Fraga e a desembargadora Marília Castro Neves, do TJ-RJ, compraram e repassaram algumas das histórias — a de que a parlamentar teria sido ‘eleita pelo Comando Vermelho’ ou que tivera um filho com o traficante Marcinho VP. Informações falsas. A família de Marielle tomará providências legais por calúnia e difamação contra ambos. O PSOL vai ao CNJ contra Castro Neves e ao Conselho de Ética da Câmara contra Fraga.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Prática de língua estrangeira (inglês e francês)


Para quem quiser praticar língua estrangeira por meio de produção de textos eu tenho um segundo blog, o BBMK, em parceria com algumas amigas: a Patrícia, francesa, responsável pela revisão dos textos em francês e a Verity, inglesa, responsável pela revisão dos textos em inglês. Eu sou o responsável pela revisão dos textos em português brasileiro, obviamente!

O blog BBMK é na verdade é um exercício de escrita! O título se refere a uma canção dos Beatles, Being for the Benefit of Mr Kite, e, como na canção, nosso propósito é o entretenimento. Nossa intenção é apresentar com esse blog diferentes tipos textuais e estamos abertos à submissão de originais de quem quiser colaborar.

Temos algumas regras:

O objetivo do blog BBMK é experimentar a escrita criativa em língua estrangeira de modo colaborativo. Nós aceitamos submissões de estudantes de inglês, francês, grego e português (estrangeiros que estudam português) e que escrevam textos em prosa.

01. O texto deve ser escrito em word.doc;

02. Cada texto deve conter de 500 a 1000 palavras, contando o título, pequeno resumo, créditos e o texto propriamente dito;

03. Deve ser enviado para:

Patricia Thibaut: freyjakama@gmail.com

ou

Nicolas Pelicioni: nicolaspelicioni@gmail.com

ou

Verity Marsterson: verity.marsterson@hotmail.co.uk

04. Depois que recebermos o texto, vamos apontar problemas de escrita, se houver;

05. Finalmente, o texto será devolvido para que a reescrita seja discutida e, uma vez discutido, será publicado.

Esse trabalho é completamente gratuito ─ para mais informações, visite o site BBMK!

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Babel


É claro que escrevi esse texto muito antes de ter cursado Letras. Namorei algumas letreiras antes de ter iniciado o curso e esse poema foi para uma delas, uma das mais chatas. Ela leu o texto, não se reconheceu nele (óbvio, pois nos reconhecemos mais facilmente em imagens positivas, por exemplo: conhece algum leitor de Nietzsche que não se identifique com o espírito livre?).

Não precisei modificar o texto, está como fora escrito em 2003.




Intelectual de letras exatas
Pura de forma linear
Sem peito e sem bunda
Reta perfeita
Quase matemática

    Esteta de verbos dicionário
Esperando ação:

Verbos
─ Beijar
─ Amar
─ Gozar
        Quejandos afora

Lentes grossas em aros redondos
    Círculos perfeitos
Quase matemáticos

(Ela se move
    Educadamente
Mais que isso:
    Adestradamente)


!
Eu, bárbaro
    Barbaricamente seduzindo
Também deixei-me seduzir

Ela sorria
    Sem sal nem açúcar
Eu sorria
    Tatibitate

Um pouco mais adiante
Quis flexionar verbos
    Dobrá-los


Ela ofereceu martelos
Ferramentas perfeitas

─ Beijamos
─ Amamos
─ Gozamos
        Quejandos afora

Depois falamos outras línguas
    Até não nos entendermos mais



sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Outra rota

Desse texto, escrito em 2011, só mudei o título! Títulos de romances ou poemas nem sempre refletem o conteúdo do texto, tanto é assim que livros de poesia têm o índice de primeiros versos, que, no final das contas, é um título alternativo.


não aconteceu de propósito
o mundo que se pôs do contrário
fez baixar a cabeça
olhar o surrado tênis
fez buscar outro lugar
seguir em frente
para qualquer frente

contramão também é direção
e não porque se vai como quem volta
o caminho é lento
sim porque o velho preço é dobrado
os credores multiplicados
toda sinalização falta

contramão é a direção que restou
para recomeçar
ou para ser errante
como esses que por vontade
senão falta de uso
esquecem o nome
não pertencem à coisa alguma


não se deixam prender

Buenos Aires: Facultad de Filosofía y Letras

  Fazia parte dos planos de passeios por Buenos Aires visitarmos uma universidade, mais especificamente, um curso de Letras. Isso porque sem...