quinta-feira, 12 de abril de 2018

Estudo de grego moderno

Há alguns anos, encontrei um curso de grego moderno na internet, o Book2, da Goethe Verlag (Editora Goethe, em alemão). O curso é legal! Eles apresentam uma caixa de diálogo muito simples e, logo abaixo, um texto completo com vocabulário nem tão reduzido assim.

Pois bem; depois de algum tempo, conheci a Anthee, hoje uma amiga, uma auxiliadora em meus estudos de grego e uma parceira na tradução de textos em grego e em inglês. Com o auxílio dela, percebi que os textos gregos da Goethe Verlag não são tão confiáveis assim, apresentam incorreções aqui e ali.

O fato de apresentarem erros, torna o estudo mais interessante e, como os estamos analisando, eu e a Anthee, será proveitoso postá-los aqui. Proveitoso tanto a quem queira estudar grego quanto a mim mesmo, que estarei comprometido a ter alguma regularidade.

Penso em textos quinzenais. Como são cem lições, teremos assunto para dois anos inteiros! Por ora, deixo o link para algumas de minhas reflexões sobre o alfabeto grego, que postei neste site, na semana que vem posto o primeiro texto e deixo um link para o áudio.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

O caso da semente

Esse texto foi escrito em 1999. Minha intenção era a de escrever um conto ou um causo nos moldes do “Para aprender as moda”, postado aqui neste blog.

Agora me lembro que a inspiração para esse conto foi um poema da Cora Coralina, o Caminho do morro. Isso foi em uma época em que eu não me preocupava em anotar referência bibliográfica, por esse motivo, caso queiram baixar o PDF com o conto da Coralina, a única coisa que o texto dela apresenta é o nome da autora; a divisão em estrofes e algum vocabulário em notas, não constam no original, são coisas minhas.

Vamos ao caso da semente.

I.

Um amigo africano, do Togo, trouxe-me como presente, dentro de um envelope de depósito do Banco do Brasil, uma semente de não-sei-o-quê. Uma sementona grande, toda seca. Entregou-me o envelope rindo ─ eu devia saber que tinha alguma coisa errada: aquela cara de malandro, o envelope do Banco do Brasil... Assim que meu amigo se despediu, joguei com desprezo a semente fora. Joguei pela janela e nem vi onde caiu. Sei que a sem-vergonha brotou. Quem diria? Uma arvorezinha muito bonita cresceu enfiando suas raízes na parede de minha casa, escalou a casa até o teto procurando pelo sol, finalmente, cresceu sobre o telhado.

Meus vizinhos elogiavam a beleza da planta. Fiquei orgulhoso, pois era a minha arvorezinha! Tudo aconteceu vagabundamente: nunca reguei ou adubei, nunca preocupei-me com podas, apenas deixei que ela crescesse sobre a casa. A arvorezinha enfeitava minha propriedade sem me dar trabalho.

O tronco estava enorme e forte, bem junto à parede. Então, veio a chuva, a árvore floriu e, depois de florir, deu fruto. Um fruto seco e esturricado que os vizinhos todos buscavam para tirar a semente e plantar. A procura era tanta que resolvi vendê-los, cheguei mesmo a fazer algum dinheiro. Em menos de um ano toda a vizinhança tinha a tal da arvorezinha cobrindo os telhados. Sobraram algumas sementes no meu quintal, que brotaram por ali mesmo e agarram-se em todos os meus muros.

Novas chuvas vieram e então eu descobri que a maldita planta esburacou meu telhado. Choveu sobre meus livros, sobre meus móveis e sobre meu carpete. Foi preciso providenciar a remoção da planta. Vieram homens com serras, machados, escadas e muita vontade de trabalhar, mas tiveram de esperar o sol secar os muros e telhados para poderem escalar a casa. Enquanto aqueles bons homens esperavam, o tronco da árvore engrossou e trincou minha parede.

Veio o sol e evaporou toda a umidade. Os homens iniciaram o trabalho: subiram e desceram escadas, bateram machados e serraram que serraram. Depois de alguns dias nessa lida, alguém gritou “madeira”. Uns correram para cá, outros correram para lá e a árvore veio ao chão. Junto com a árvore, foram ao chão meu telhado e a parede que estava junto ao tronco. Êta serviço porco! Xinguei que xinguei, mas de nada adiantou: tive de pagar o trabalho dos homens. Logo eles se foram com suas escadas, serras e machados. Dormi sem teto, ao relento, envolto pelas paredes que sobraram.

Tirei uma semana de folga para limpar a porcaria. Cortei a árvore em pedaços bem pequenos e joguei sobre o caminhão que os levou a um destino ignorado. Reconstruí a parede e o teto depois de remover o resto do tronco até a raiz. Removi todas as mudas remanescentes no meu quintal, que já começavam a escalar os muros que ainda estavam de pé. Demorou seis meses para que tudo voltasse ao normal na minha casa.

II.

Agora preciso contar dos meus queridos vizinhos, pois cada um deles tinha a mesma arvorezinha linda que destruiu minha casa subindo por seus próprios telhados. Os telhados estavam todos verdinhos e, depois de florirem, deram aquele mesmo fruto seco e esturricado que eu conheci em meu próprio quintal. As raízes racharam as calçadas deles, houve infiltração de água da chuva e, então, finalmente, alguém teve a brilhante ideia de responsabilizar-me pelo caos que assolava o bairro.

Tirei uma semana de folga para visitar esse e visitar aquele amigo. Contemplei os telhados da cidade e reuni alguns engenheiros para com eles fazer alguns orçamentos. Nunca em minha vida vi tantos números juntos, a situação era tão grave que o prefeito acabou intervindo.

O bairro reuniu-se em mutirão: homens, mulheres e crianças, cada um carregando sua escada, sua serra e seu machado. Todo mundo com muita vontade de trabalhar e eu liderava tudo com o auxílio de engenheiros. O governo do estado mandou tratores, operários e mais engenheiros à cidade. Tristemente, antes que os tratores começassem a funcionar, eis que chegam à cidade ambientalistas vindos de toda parte, dizendo que as árvores eram de espécie rara e não poderiam ser cortadas.

Aí o caso se avolumou. Enquanto nossas competentes autoridades decidiam o que fazer, e demoraram meses para decidir alguma coisa, a cidade foi invadida bichos que nunca vi em livros, o lugar ficou parecendo uma floresta e minha casa era o único ponto, mais ou menos desmatado, capaz de lembrar que aquele bairro um dia foi parte urbana da cidade.

Até tentamos passar por cima das decisões dos ambientalistas e derrubar tudo, mais logo vieram novas chuvas e uma nova florada. A partir daí não havia mais o que fazer. O engraçado é que, quando alguém queria conversar com o responsável pela bagunça, sempre aparecia alguém para dizer meu nome.

Algumas das famílias mudaram-se para perto, outras para longe. O Governo transformou o lugar em uma reserva destinada a pesquisas e minha casa tornou-se abrigo de cientistas.

Durante os acontecimentos, houve até quem sugerisse levar-me para a cadeia. Felizmente, também fiquei sem casa, o que significa sem meu escritório e sem minha biblioteca e sem cadeia!

Restou-me contar o causo do bairro que virou floresta. Para os incrédulos que riem de minha história trago na mala uma porção de sementes ressecadas, é só plantar!


segunda-feira, 2 de abril de 2018

Uma outra flor


O seguinte poema não é meu, foi tirado do Instagram não faz muito tempo e só quis publicá-lo neste blog devido a umas poucas curiosidades.

A autora, que se denomina Antígona (não quer dizer que de fato se chame Antígona, ainda que nomes de deuses e heróis da mitologia sejam comuns entre gregos), tem uma conta chamada @poetrybreath, da qual tirei esse poema. Ela apresenta seus poemas em letras cursivas bem estilizadas, escritas sobre uma tela que conheço pelo nome de aguada. O efeito é bem bonito, ainda que o poema seja um tanto óbvio.

O jogo de palavras no final que é muito típico da língua grega: palavras muito próximas, homógrafas ou homófonas, com sentido muito diferente. No caso desse poema, as palavras são homófonas, pronunciam-se “filái”, uma se escreve com ípsilon, e significa guarde, outra com o iota, e significa beije.

Aliás, é possível falar mais sobre essa palavra e suas semelhantes. “Fílos” (φίλος) significa amigo ou namorado e o feminino se faz com o ita, pronuncia-se “fíli” (φίλη) e significa amiga ou namorada; “filí” (φιλί), com acento diferente, significa beijo... Curioso que haja um idioma no qual a palavra amigo/amiga assemelhe-se a beijo (e que na antiguidade desse idioma, beijar também signifique amar)!































Έχω ένα λουλούδι που αγαπώ.
Θέλω να το δώσω σε κάποιον
να το κρατάει,
να το φυλάει.
Να σε φιλάει.

Amo uma flor que tenho.
Quero dá-la a alguém
que a tome,
que a guarde.
Que beije você.



quinta-feira, 29 de março de 2018

Flor


Esse poema foi escrito em sala de aula, mas não me lembro quando. A data que está marcada nele é 2002, quando eu já não frequentava escola. Se a data está certa, então foi alguma atividade poética promovida pelo SESC em parceria com a UNESP. Certo é que, em 2002 (nem faz tanto tempo assim), a UNESP promovia atividades literárias tanto para alunos do ensino médio quanto para interessados em geral com muito mais frequência do que agora.

Para quem mora em São José do Rio Preto, a UNESP é conhecida como Ibilce (Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas), a única universidade pública da cidade e, justamente por ser pública e também uma das principais do país, atrai gente de toda parte, mesmo do estrangeiro, o que faz do lugar um centro interiorano-cosmopolita!

No final, são esses os dois principais centros promotores de cultura na cidade: a UNESP, desempenhando o papel crítico próprio da escola, e o SESC, promovendo a cultura muito mais que os órgãos públicos do município. A cidade conta com outros centros culturais, no entanto, foram e continuam sendo muito apagados em minha vida.





          Cuidado posto fora
          Ferida

          Corre corre corre

          Escorre a vida

          Cabelos assoprados
          Levados por mais nada

          Um leito e já não corre

          Desfolha

          Enquanto dorme



segunda-feira, 26 de março de 2018

VERSOS X VERSOS

Esse é um poema, ou tentativa de poema, de 2002. É um jogo de palavras como muitos dos poemas legais que já li ─ o “PERHAPPINESS” do Paulo Leminski, por exemplo (para quem quiser saber mais, esse poema consta na coleção Toda poesia, Paulo Leminski, lançada pela Companhia das Letras, mas o poema é só essa palavra mesmo, escrita em letras grandes, bem no meio da página).

VERSOS X VERSOS não tem versos. É um jogo com a sensualidade da língua (o que se faz com a língua?, onde a gente mete a língua?, por que o fundo é seco?), e com a linguagem em metalinguagem. O verbo linguar, no imperativo, é, até onde sei, invenção minha em uma época em que se usava trema. Mantenho o trema...



Língüe

Meta a língua
No fundo seco e macio

Meta linguagem

E agora que mordeu

Coma 




segunda-feira, 19 de março de 2018

Luta


Esse poema, escrito no ano 2.000, é apenas uma descrição, um quadro. Hoje, para dar ares de grandeza ao poeminha, eu diria ser uma forma naïf da fórmula horaciana ut pictura poesis (a poesia que se assemelha à pintura)! Curiosamente, desde o primeiro momento tive a impressão de que haveria mais bravura se a luta fosse vencida por uma mulher, por isso há no final uma indicação de gênero.

Lembrei-me desse poema devido aos acontecimentos recentes no Rio de Janeiro que resultaram no assassinato de Marielle Franco. Deixo abaixo uma advertência importante feita pelo jornal Meio e aqui o link para a assinatura gratuita: Canal Meio.



E não é que deu certo!?!

    Naquele emaranhado
    (No meio do enguiço)
Um corpo já muito batido
Levantou sem constrangimento

De costas para quem não acreditava
Escondeu o riso entre os cabelos
    ─ Um riso de cabeça baixa

Foi embora cansada
    Mas vitoriosa!



De supetão, em quantidade e de forma aparentemente orquestrada, as redes sociais foram tomadas por fake news a respeito da vereadora assassinada no Rio, Marielle Franco. Pelo menos duas autoridades, o deputado federal Alberto Fraga e a desembargadora Marília Castro Neves, do TJ-RJ, compraram e repassaram algumas das histórias — a de que a parlamentar teria sido ‘eleita pelo Comando Vermelho’ ou que tivera um filho com o traficante Marcinho VP. Informações falsas. A família de Marielle tomará providências legais por calúnia e difamação contra ambos. O PSOL vai ao CNJ contra Castro Neves e ao Conselho de Ética da Câmara contra Fraga.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Prática de língua estrangeira (inglês e francês)


Para quem quiser praticar língua estrangeira por meio de produção de textos eu tenho um segundo blog, o BBMK, em parceria com algumas amigas: a Patrícia, francesa, responsável pela revisão dos textos em francês e a Verity, inglesa, responsável pela revisão dos textos em inglês. Eu sou o responsável pela revisão dos textos em português brasileiro, obviamente!

O blog BBMK é na verdade é um exercício de escrita! O título se refere a uma canção dos Beatles, Being for the Benefit of Mr Kite, e, como na canção, nosso propósito é o entretenimento. Nossa intenção é apresentar com esse blog diferentes tipos textuais e estamos abertos à submissão de originais de quem quiser colaborar.

Temos algumas regras:

O objetivo do blog BBMK é experimentar a escrita criativa em língua estrangeira de modo colaborativo. Nós aceitamos submissões de estudantes de inglês, francês, grego e português (estrangeiros que estudam português) e que escrevam textos em prosa.

01. O texto deve ser escrito em word.doc;

02. Cada texto deve conter de 500 a 1000 palavras, contando o título, pequeno resumo, créditos e o texto propriamente dito;

03. Deve ser enviado para:

Patricia Thibaut: freyjakama@gmail.com

ou

Nicolas Pelicioni: nicolaspelicioni@gmail.com

ou

Verity Marsterson: verity.marsterson@hotmail.co.uk

04. Depois que recebermos o texto, vamos apontar problemas de escrita, se houver;

05. Finalmente, o texto será devolvido para que a reescrita seja discutida e, uma vez discutido, será publicado.

Esse trabalho é completamente gratuito ─ para mais informações, visite o site BBMK!

Buenos Aires: Facultad de Filosofía y Letras

  Fazia parte dos planos de passeios por Buenos Aires visitarmos uma universidade, mais especificamente, um curso de Letras. Isso porque sem...