quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Triste

Escrito no ano 2000 por motivos muito diferentes dos que motivam a postagem dele hoje. É interessante e também agradável poder recorrer a um texto meu, e não de algum autor que eu li, para traduzir ou expressar um sentimento meu. 




tudo dentro é triste
nem mais é preciso a sombra da morte
       para sentir essas dores


que chegam assim
nas asas da manhã


bastaria culpar a solidão
— velha companheira
mas ela é inocente
bem sei


...hoje a tristeza existe por si só

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Arte no Instagram: Rodrigo Gallo

Esse texto foi originalmente escrito em francês, para meu blog BBMK (link L’art sur Instagram : Rodrigo Gallo). Além do Rodrigo Gallo, pretendo apresentar outros artistas cuja produção, de inegável qualidade, pode resultar numa discussão mais aprofundada no futuro. 



Pelas redes sociais pode-se fazer amigos, encontrar pessoas interessantes e também descobrir artes que não se conheceria por outro meio. Talvez mais que outras redes sociais, o Instagram nos permita entrar em contato com trabalhos artísticos aos quais dificilmente seríamos expostos. Dentre esses casos, está o trabalho do artista mineiro Rodrigo Gallo. 

Gallo trabalha com metal, sua página no Instagram é a Full Metal Concept (link fullmetalconcept), que pode ser traduzido como “um conceito completo sobre o metal”. Não por acaso, um de seus temas preferidos para escultura é a guitarra elétrica. Para descrever seu trabalho com uma linguagem mais precisa, eu recorro ao conceito de escultura pós-moderna; ou seja, um estilo que faz uso da incoerência, da descontinuidade, da paródia, da cultura popular, enfim... A mesma linguagem que produziu e popularizou, por exemplo, o “zumbi”! 






















Todas as fotos são publicadas com a autorização do artista.

Um dia, perguntei ao Rodrigo sobre os efeitos da oxidação sobre seu trabalho de arte. Ele respondeu-me que prefere mesmo a ferrugem ao metal limpo; na verdade, compartilho o mesmo gosto! Especialmente quanto às guitarras, parece-me que a oxidação favorece uma rusticidade que intensifica o aspecto de deterioração próprio da linguagem pós-moderna. Apesar disso, um dia, alguém encomendou um violino — nesse caso, não haveria mais a relação metálica com a música heavy metal e a deterioração; em vez disso, uma relação muito insólita com a música acadêmica.





















Contudo, nem todos os seus trabalhos estão ligados às ideias pós-modernas de rebaixamento e degradação, Gallo faz também réplicas de motocicletas Harley-Davidson. Ele já fez mais de uma centena delas, que recebem pintura e, portanto, não ficam tão expostas à oxidação. 

Um dia, no Instagram, Gallo anunciou que faria um trabalho talvez polêmico. Encomendaram-lhe uma AK-47 e ele preocupou-se em explicar que, num mundo tão cheio de violência, ele não tem intenção nenhuma de fazer qualquer tipo de apologia à guerra, mas somente um trabalho artístico. Para que não houvesse qualquer dúvida sobre a natureza de seu trabalho, as marcas da escultura foram intensificadas! Foi um grande desafio manter o padrão artístico de uma obra que tão facilmente poderia ter um aspecto ou infantil ou mais brutal que o desejado. 

















Mais tarde, Virginia Soares fez sobre ele um artigo para o jornal da ESAB (link ESAB), uma empresa de produtos de soldagem. A ESAB não é a única parceria de Gallo, ele também conta com a Dremel, uma empresa de ferramentas. A parceria com a Dremel proporcionou, recentemente, o sorteio de uma de suas réplicas de motocicletas!















Faz algum tempo, ele começou a construir uma réplica da Torre Eiffel. É um projeto grandioso, em escala de 1 por 100. Eu lhe perguntei sobre o estudo necessário para essa produção e ele me respondeu que, por causa desse trabalho, acabou conhecendo muitos aspectos da Torre Eiffel. 





















Foi somente pela internet que falei com o Rodrigo. Moramos cerca de seiscentos quilômetros um do outro e nunca nos encontramos! Mas, essa não é a maior distância geográfica entre mim e um amigo em redes sociais. A Patrícia, minha parceira em estudos de língua estrangeira no blog BBMK, assim como a Elena Zymara, uma outra artista que divulga seu trabalho pelo Instagram, moram, as duas, muito mais longe de mim que o Rodrigo! Mas, contarei essas histórias em outra ocasião...

domingo, 15 de julho de 2018

As personagens negras na literatura antiga

Começo esse texto explicando de qual “literatura antiga” estou falando: pretendo discutir o romance antigo produzido na Grécia e em Roma entre os séculos II e VI d.C. Segundo o pesquisador Jacyntho Lins Brandão, no texto “Qual romance?” (há um link no título que leva ao texto; para mais detalhes sobre essa publicação, veja as Referências abaixo), no período em que esses romances foram escritos, a Grécia estava sob o domínio de Roma, de modo que, a rigor, todos os romances são romanos. 

Bakhtin, no livro Questões de literatura e estética (veja as Referências) classifica como “romances de aventuras e provações” os que foram escritos em grego, são eles 1) Quéreas e Calírroe, de Cáriton de Afrodísias; 2) As Efesíacas ou Ântia e Habrócomes, de Xenofonte de Éfeso; 3) Leucipe e Clitofonte, de Aquiles Tácio; 4) Pastorais ou Dáfnis e Cloé, de Longo; 5) As Etiópicas ou Teágenes e Caricleia, de Heliodoro; e como “romances de aventuras e de costumes” os que foram escritos em latim, são eles 1) Satíricon, de Petrônio; e 2) O asno de ouro, de Apuleio. 

Essa lista de romances têm sido aumentada nos últimos anos devido à descoberta de novos textos; mas, para tratar da representação de personagens negras, basta os textos acima — na verdade, nem chegarei a discutir todos.

Quando se fala da cultura brasileira como greco-romana e judaico-cristã, entende-se que são características da cultura que recebemos dos colonizadores portugueses. A língua romana teve muita influência da língua e da cultura grega e, embora haja muitas outras línguas na formação do português, mesmo o de Portugal, a herança latina é muito forte. Da mesma forma, a religião católica é a predominante no Brasil. Mas a cultura greco-romana não é a única da Antiguidade — em literatura, dizemos que a cultura greco-romana é a do ciclo troiano, ou seja, a que conta as histórias relacionadas com a guerra de Troia. Ilíada e Odisseia, de Homero, Eneida, de Virgílio e toda uma produção teatral, poética e romanesca. O outro grande ciclo é o chamado ciclo arturiano, mais relacionado ao povo do norte da Europa (Grécia e Roma estão ao sul, banhados pelo mar Mediterrâneo), e conta a história do rei Artur, do mágico Merlin e tem uma mitologia muito diferente da do ciclo troiano.

O norte da Europa era povoado por vikings, anglos, germânicos e aí sim temos uma população de pele muito clara e cabelos loiros e ruivos. Nos países mediterrâneos, por outro lado, a constituição étnica não é essa e, diga-se de passagem, boa parte das histórias passam-se no norte da África. 

No romance Leucipe e Clitofonte, de Aquiles Tácio, o narrador Clitofonte, ao ser sequestrado no Egito, vai descrever os sequestradores como “não totalmente negros, como um indiano; mas, antes, como um detestável etíope” (ACHILLES TATIUS III.9.2 [1969, p. 155]). Esse romance, escrito no século II d.C., dá testemunho literário de um Egito negro.

Há uma disputa entre o herói do romance Dáfnis e Cloé, de Longo, e um seu rival, por um beijo da heroína. Vou transcrever o diálogo todo, o herói é Dáfnis, o rival é Dorcon, e Cloé é a heroína. Quem começa é Darcon: 

“Eu, ó rapariga, sou mais alto do que Dáfnis; sou um boiadeiro, e ele não passa de um cabreiro; valho mais do que ele, da mesma forma que os bois valem mais do que as cabras; sou branco como o leite e louro como a seara do trigo pronto para a ceifa, e fui alimentado por uma mãe, e não por um animal. Ele é miúdo, e sem barba, como uma mulher, e escuro como um lobo; pastoreia bodes, e cheira tão mal quanto eles, e é pobre demais para ter um cachorro. E se, como dizem, foi uma cabra que lhe deu leite, ele em nada difere de um cabrito.” 
Depois destas e outras palavras semelhantes de Dorcon, eis o que disse Dáfnis:
“Eu fui alimentado por uma cabra, como Zeus; guardo bodes que são maiores do que os bois dele; mas não tenho o odor deles, da mesma forma que Pã, o qual, porém, é um bode quase por inteiro. Contento-me com queijo, pão cozido no espeto e vinho claro, tudo o que possuem os camponeses ricos. Sou imberbe, mas como Dioniso; sou escuro, mas como o jacinto, e no entanto Dioniso vale mais do que os sátiros e o jacinto mais do que o lírio. Quanto a ele, é ruivo como a raposa, em seu queixo aponta uma barba de bode, e é branco como uma mulher da cidade; e se é a mim que irás beijar, tu beijarás minha boca, se é a ele, tu beijarás os pelos de seu queixo. Lembra-te, ó rapariga, que tu também tiveste um animal como ama de leite, e mesmo assim és bela” (LONGO I.16 [1990, p. 16-7]). 

Segundo a tradutora “o termo jacinto designa um grande número de plantas, entre elas a airela, que, provavelmente, é a aqui referida” (BOTTMANN, 1990, p. 101, em nota). Essa airela vai da cor vermelha até a preta. Vale dizer, Dáfnis venceu a disputa!

Esses dois textos descrevem de forma textual e inconteste, personagens negras. A Ilíada, de Homero, faz diferente, nela, devido à descrição de personagens brancas, loiras, de olhos azuis, como no trecho abaixo, deduzimos que, talvez, esses personagens sejam exceção no grupo.

Tudo isso lhe rodava no íntimo e, entretanto,
ia sacando da bainha o gládio enorme.
Então, do céu, Atena desce. Enviou-a Hera,
dos braços brancos, que ama os dois, por ambos vela.
Por trás segura-lhe os cabelos louros, só
visível para ele; ninguém mais a vê.
Espanta-se o Peleide; gira o corpo, e logo
dá com Palas Atena: olhos terríveis brilham!
Dirigindo-se à deusa diz palavras rápidas:
“Filha de Zeus tonante, portador do escudo,
por que vens? Assistir à audácia de Agamêmnon?
Pois declaro o que penso e hei de ver cumprido:
seu belicoso orgulho vai causar-lhe a morte”.
Brilho de olhos azuis, responde a deusa Atena:
“Descendo do alto céu, para acalmar-te a ira
(se acaso me obedeces), vim a mando de Hera,
deusa dos braços brancos, que por ambos vela.
Vamos, para essa briga! Deixa em paz a espada!
Insulta-o com palavras, sim, o quanto queiras.
Agora vou dizer-te o que se cumprirá:
um dia hão de pagar-te o triplo em dons esplêndidos
como preço da afronta. Acalma-te e obedece” (CAMPOS, 2003, p. 41-3 [HOMERO, Ilíada I.193-213]). 


Ao prestar atenção nas descrições de etnias feitas pela literatura antiga greco-romana, é possível constatar que há uma variedade muito maior que aquela representada pelo cinema. 





Referências 


ACHILLES TATIUS of Alexandria. The Adventures of Leucippe and Clitophon. Translated by S. Gaselee. London: Loeb Classical Library, 1969. 

BAKHTIN, Mikhail. Questões de literatura e estética. Tradução de ANDRADE, Homero Freitas de; AUGUSTO Jr., Góes; BERNARDINI, Aurora Fornoni; NAZÁRIO, Helena Spryndis; PEREIRA Jr., José. São Paulo: Universidade Paulista Júlio de Mesquita Filho, Hucitec, [1920-30] 1990. 

BOTTMANN, Denise. Notas. In: LONGO. Dáfnis e Cloé. Tradução Denise Bottmann. Campinas, SP: Pontes, 1990. 

BRANDÃO, Jacyntho Lins. Qual romance? (entre antigos e modernos) In: Eutomia: revista de literatura e linguística, Vol. 1, nº 12. Recife: UFPE, Jul./Dez. 2013, p. 80-99. 

CAMPOS, Haroldo. Ilíada de Homero: vol. I. São Paulo: Arx, 2003. 

LONGO. Dáfnis e Cloé. Tradução Denise Bottmann. Campinas, SP: Pontes, 1990. 


terça-feira, 10 de julho de 2018

Malala no Brasil

Apresentar Malala é fácil: é a garota que defendeu o direito à educação e, por isso, foi baleada pelo Talibã. Mas não é só isso, depois ela recebeu um Nobel — agora planeja vir ao Brasil.

O livro que conta a história dela é o Eu sou Malala. (YOUSAFZAI, Malala; LAMB, Christina. Eu sou Malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.)















Malala encontra garotas indígenas em trajes tradicionais.


Abaixo está a notícia que recebi e também o link para quem quiser fazer uma doação. Ela está sempre pedindo doações — o Fundo Malala vive de doações —, e a mensagem é dirigida ao mundo, não somente ao Brasil. A tradução é minha.



Malala está trazendo sua luta pela educação de garotas à América do Sul. Nesse ano ela vai passar seu aniversário no Brasil — uma nação com uma das maiores economias e mais de 1,5 milhão de meninas fora da escola. Racismo, pobreza e violência impedem que as garotas atinjam todo seu potencial. 

Malala is bringing her fight for girls’ education to South America. This year she is spending her birthday in Brazil — a nation with one of the world’s largest economies and more than 1.5 million girls out of school. Racism, poverty and violence prevent girls across the country from reaching their full potential. 

“Ao crescer, constantemente lhe dizem que você não pode. Você não pode porque você é negra ou porque é pobre ou porque nasceu numa bairro violento”, diz Dondara, uma estudante negra do Rio de Janeiro. A pobreza força muitas meninas a deixarem a escola e a entrarem no mundo do tráfico ou da exploração sexual.

“Growing up, you’re constantly told you can’t. You can’t because you’re black or poor or born in a dangerous neighborhood,” says Dondara, an Afro-Brazilian student from Rio de Janeiro. Poverty forces many girls out of school and into drug-related crime or sex trafficking. 

Para Rebeca, 16, a constante ameaça de tiroteio na favela faz com que seja difícil para ela ir à escola em segurança. Muitas de suas amigas já desistiram — e Rebeca não tem certeza se ela pode continuar correndo o risco.

For 16-year-old Rebeca, the constant threat of shoot-outs in her favela makes it difficult for her to get to school safely. Many of her friends have already dropped out — and Rebeca isn’t sure she can continue taking the risk. 

Durante sua viagem, Malala encontrará meninas como Dondara e Rebeca para aprender sobre os obstáculos que elas encontram e os recursos de que precisam para melhorar o acesso à educação para meninas em suas comunidades.

During her trip, Malala is meeting girls like Dondara and Rebeca to learn about the obstacles they face and the resources they need to improve access to education for girls in their communities. 

Com sua ajuda, podemos devolver às meninas o que o racismo, a pobreza e a violência tentaram tirar. Doe ao Fundo Malala hoje para ajudar todas as meninas a alcançarem seu potencial pleno. 

With your support, we can give back to girls what racism, poverty and violence tried to take away. Donate to Malala Fund today to help every girl reach her full potential. 

Agradecemos por amizades como a sua, 
Grupo Fundo Malala 

We’re grateful for friends like you, 
Malala Fund Team




sexta-feira, 6 de julho de 2018

Aprendendo a voar

Escrevi esse texto em 1999. Sobre vencer e perder, mas também, quem sabe, um pouco de autoajuda a mim mesmo! Essa ajuda, no caso, seria alguma coisa que eu gostaria de ouvir ou saber de mim mesmo depois que toda a energia do final da adolescência se tivesse esgotado — quando eu ficasse velho, portanto. 

Um amigo, com o qual eu discutia meus textos na época, recomendou-me ler Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach. Ele viu alguma semelhança temática. Eu, no entanto, ainda não fiz essa leitura... Segue abaixo o texto. 





Quando eu ficava sozinho, olhava para o céu e me esticava todo na ponta dos pés, depois encarava o horizonte: queria voar até lá. Faz tempo... Mas, conhecia minha condição — sempre fui de grandes altitudes! 

Não olhava para baixo; baixo era um lugar que não existia. Eu tinha certeza de que só me era necessário um pouco mais de tempo. Sim, pois tinha muita coragem! Mas, apesar dessa coragem, quando abria as asas e encarava o horizonte ficava estarrecido. 

Uma questão de tempo, só isso... 

O tempo passava devagar, em desacordo com a minha ansiedade. Meus olhos viam longe e de longe eu queria olhar a montanha, mais do que de longe: de cima, — já era maior que ela naqueles dias. Eu abria as asas quando o vento soprava forte, sentia-me leve, depois continha o passo.

Num daqueles dias, uma força dentro fez-se presente, fiquei mais leve, e, finalmente, mostrei à montanha que eu era sim capaz! 

Foi a primeira vez, o primeiro voo. Fiz segredo daquele primeiro breve passeio, mas logo tomei gosto, encontrei meus pares e, na distância, a montanha ficou mediocremente minúscula. 

Sou forte por natureza e sempre conheci minha condição. Visitei outras montanhas e, além das montanhas, campos em planícies sem fim. Lutei o que era preciso lutar e sempre, sempre soube retornar. 

Hoje a montanha principia ser maior do que eu novamente, que me canso ao ir tão alto. Mas, como disse, sempre conheci minha condição. Ainda abro as asas quando o vento sopra forte, sinto-me leve... — e, a montanha sabe que foi vencida.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Quando usar “ι”, “η”, “υ”, “ει”, “οι” ou “υι”

Essa postagem é, na verdade, uma tradução de uma aula da Stefania (Στεφανία), apresentada pelo 101 Greek (link: 101 Greek). Eu colocaria esse trabalho como legenda ao vídeo dela; mas, como o vídeo dela não aceita contribuições, apresento a aula dela em português, acrescentando exemplos e com alguns comentários a mais.

A representação do som /i/, em grego, não é muito simples porque o idioma mantém algumas grafias do grego antigo. Aqui vale uma pequena digressão para explicar um pouco essa história.

A Grécia ficou sob domínio turco por quase quatrocentos anos e, depois de sua independência em 1821 (25 de março é o dia da independência grega), o país começou a se reconstruir. Foi quando gregos cultos que tinham procurado refúgio em outros países da Europa puderam retornar. Esses gregos tinham aprendido que o mundo valoriza a antiguidade grega e, portanto, essa história poderia ser explorada economicamente (o pesquisador do qual tirei essa informação é Richard Clogg, no livro A Concise History of Greece, publicado pela Cambridge em 1992).

Hoje, o turismo é a principal atividade econômica grega. O mundo interessa-se pelas praias gregas, mas também pela história antiga desse povo que tanto ajudou a fundamentar o pensamento ocidental. Por isso, é muito importante a manutenção de esculturas, monumentos, e também do idioma.

Por motivos culturais — muito ligados à economia —, a escrita antiga é preservada e, desse modo, o mesmo /i/ pode ser representado como ι, η, υ, ει, οι ou υι. A aula da Stefania discute quando usar cada uma dessas grafias.

1. O plural de substantivos masculinos e femininos terminados em -ος, assim como adjetivos e pronomes masculinos terminados em -ος, será feito em -οι 

Οι ψήφοι καταμετρώνται από την επιτροπή. 
Os votos estão sendo contados pela comissão. 

2. Palavras que terminam em são, predominantemente, substantivos e pronomes singulares femininos. 

3. Palavras que terminam em são, predominantemente, substantivos neutros. 

Το σκυλί σκάβει λάκκους στον κήπο. 
O cachorro está cavando buracos no jardim. 

4. As formas verbais que têm o som /i/ terão a grafia -ει
πληρώ -ούμαι Ρ (μόνο στο ενεστ. θ.) πληροίς, πληροί, πληρούμε, πληροίτε, πληρούν 
satisfazer, cumprir, preencher

A Stefania não diz, mas ela escolheu para esse exemplo, justamente, um verbo irregular que é exceção à regra que ela está mostrando! De acordo com o dicionário Tessalonicense, a terceira pessoa do presente desse verbo é feita com -οι, não com -ει (aliás, sempre apresento vocabulário grego com as referências aos quadros de conjugação e declinação oferecidas por esse dicionário. Link: greek-language): 

πληρώ 

πληροίς 

πληροί 

πληρούμε 

πληροίτε 

πληρούν


5. A combinação de vogais υι é bastante rara e, assim como o υ, não é encontrada em fim de palavras. 

υιός ο Ο17 
filho — diferente de γιός, υιός é usada no sentido religioso: ο άσωτος υιός o filho pródigo; ο υιός του Ανθρώπου o filho do homem; ο υιός του Θεού o filho de Deus

υιικός -ή -ό Ε1 
filial; υιική αγάπη amor filial 

υιοθεσία η Ο25 / υιοθέτηση η Ο33 
adoção 

υιοθετώ -ούμαι Ρ10.9 
adotar

υιοθετημένος -η -ο [υιοθετώ -ούμαι Ρ10.9] 
adotado 

Quanto às palavras que têm um no final, e não corresponde ao final ου, αυ, ou ευ, não são tantas assim, então podem muito bem ser decoradas!

Adjetivos em -υς 

βαθύς -ιά -ύ Ε7 λόγ. γεν. πληθ. και βαθέων ΕΠIΡΡ βαθιά
fundo, profundo adv. profundamente

βαρύς -ιά -ύ Ε7 & (λόγ.) βαρύς -εία -ύ Ε7α 
pesado 

ευθύς -εία -ύ Ε7α 
direito, reto 

μακρύς -ιά -ύ Ε7 : που έχει μεγάλο μήκος: μακρύ ποταμός / δρόμος. ΦΡ έχω μακριά γλώσσα.
longo: que tem um grande comprimento: longo rio / longa rua. Idiomático: ter uma língua comprida.

παχύς -ιά -ύ Ε7 λόγ. γεν. και παχέος
espesso, grosso

πολύς πολλή πολύ Ε
muito

Substantivos em -υ 

άστυ το Ο γεν. άστεως, πληθ. άστη, γεν. άστεων : (λόγ.) η πόλη. || (έκφρ.) κλεινόν άστυ, η Αθήνα. 
urbe, cidade || cidade fechada, a Atenas. 

βράδυ το Ο44 
noite 

μυς ο Ο γεν. μυός, πληθ. μύες, γεν. μυών, αιτ. μυς 
músculo 

δάκρυ το Ο γεν. δακρύου και (λογοτ.) δάκρυου, πληθ. δάκρυα, γεν. δακρύων 
lágrima 

δίχτυ το Ο44 
rede 

ισχύς η Ο γεν. ισχύος, αιτ. ισχύ, πληθ. ισχύεις, γεν. ισχύων 
poder, potência 

οξύ το Ο γεν. οξέος, πληθ. οξέα, γεν. οξέων 
ácido 

στάχυ το Ο44 
espiga 

Advérbios em -υ 

αντίκρυ επίρρ. τοπ.
em frente a adv. de lugar 

μεταξύ επίρρ. 
entre εν τω μεταξύ entretanto 

πολύ επίρρ. ποσ. 
muito 

Pronome 

εσύ 
você 

Nomes estrangeiros 

Σίσσυ 
Sissy 

Φρέντυ 
Freddy 

Βίκυ 
Vicky 

Algumas sentenças com palavras em υ 

Το βράδυ κάνει κρύο. 
A noite está fria.

Ο καφές είναι πολύ βαρύς. 
O café é bastante forte. 

E se o som /i/ não estiver no fim da palavra? 

Nesse caso, será preciso ficar atento ao radical da palavra ou aos radicais de palavras compostas, porque o radical pode lembrar palavras já conhecidas. 

ύψος το Ο46 
alto 

υψόμετρο το Ο42 
altitude 

υψηλός -ή -ό Ε1 υπερθ. και ύψιστος 
alto 

υψίπεδο το Ο40 
planalto 

ύψωμα το Ο49 
elevação, colina 

υψώνω -ομαι Ρ1 
elevar, alçar, erguer 

Algumas sentenças 

Το χωριό βρίσκεται σε υψόμετρο δύο χιλιάδων μέτρων. 
O lugarejo está localizado em uma altitude de dois mil metros. 

Μη μου υψώνεις τη φωνή! 
Não erga a voz comigo! 


sábado, 16 de junho de 2018

Canção de aniversário grega

Essa é a Canção de Aniversário em grego. Bem diferente da que cantamos em português! Aprendi-a numa postagem de minha amiga Lina, do Instagram, que a cantou como manda o figurino: uma surpresa com bolo de velinhas, para comemorar o aniversário de um amigo.

Assim como em português, essa canção está muito ligada à infância e, embora possa ser cantada para todos os que querem comemorar o aniversário, encontra-se mais facilmente vídeos infantis do que adultos. O que encontrei serve para que se conheça a melodia, é de um programa de televisão infantil chamado Ζουζούνια (basta clicar na palavra). 



Να ζήσεις, να ζήσεις και χρόνια πολλά! 
Que viva, que viva muitos anos! 

Μεγάλος να γίνεις με άσπρα μαλλιά. 
Grande se torne com cabelos brancos. 

Παντού να σκορπίζεις της γνώσης το φως. 
Por todo lado espalhe a luz do conhecimento. 

Και όλοι να λένε να ένας σοφός. 
E todos o chamem um sábio. 



No primeiro verso, em vez de repetir “να ζήσεις”, pode-se cantar o nome do aniversariante. Também é preciso a concordância, masculino ou feminino, conforme o aniversariante. 


Να ζήσεις [όνομα] και χρόνια πολλά! 

Μεγάλος/μεγάλη να γίνεις με άσπρα μαλλιά. 

Παντού να σκορπίζεις της γνώσης το φως, 

Και όλοι να λένε να ένας/μία σοφός.

Buenos Aires: Facultad de Filosofía y Letras

  Fazia parte dos planos de passeios por Buenos Aires visitarmos uma universidade, mais especificamente, um curso de Letras. Isso porque sem...